quarta-feira, junho 27, 2007

Laughing Blogger Award

Pois é, este blog não tema intenção de fazer rir. Mas lembranças são assim: às vezes até as trágicas ou tristes nos fazem rir.
Fico feliz em saber que alguém se diverte comigo. No caso, o Lou, que me concedeu esta honraria. Vindo dele, é mais significativa, pois ele é engraçado até em funeral...
Minha tarefa é indicar blogs engraçados. Aqui vai:

Conversas & Pensamentos - tem ótimas charges !!!
Querido leitor - a produtora do "Pânico" só poderia ser engraçada, mas é também inteligente!
All Quad - apesar de ser um blog sobre arte de animação, os trabalhos apresentados são sempre muito, muito bons, bem humorados, leves... artísticos!

Acessem o blog da Meire pra ver os outros agraciados

Por enquanto, esses três. Depois indico mais dois, ok?

terça-feira, junho 26, 2007

75- O PATRÃO

Depois de sair da faculdade, meu primeiro patrão foi o Sabará. Antes eu havia trabalhado, durante a faculdade, como professor de inglês.
Antes, ainda, trabalhara algumas horas por semana, lá na loja de móveis do meu “pai americano”, durante o intercâmbio. Mas foram experiências curtas e que não carregavam o peso de ser um emprego pra valer. Esse, não. Havia sido contratado como “geólogo” formado e tinha status e responsabilidades maiores.
Ubirajara Sabará foi, então, meu primeiro patrão. Homem inesquecível. Os 18 meses que trabalhei para ele serviram como um segundo curso superior. Aprendi muito com esse “matuto”, descendente de índios e negros; empreendedor nato, sentia cheiro de lucro e ia atrás. Seu irmão, também micro-empresário de algum sucesso, certa vez me disse: “Meu irmão tem é sorte. Tanta que, se um dia ele resolver encher um lote com esterco, no dia que o terreno estiver cheio, dão a notícia que merda virou dinheiro...
A empresa, especializada em produtos para tratamento de água, tinha muitos clientes entre as prefeituras, fornecendo aos serviços de água das cidades.
Pois fui contratado para implantar uma unidade de extração de calcário e produção de cal de alta pureza. O trabalho foi interessante, prazeiroso, e cansativo. Viajei, de “fuscão”, mais de 90 mil km em 18 meses.
Da convivência com Sabará ficaram algumas lembranças preciosas. Uma delas, frase sempre mencionada por ele quando pretendia adquirir algo: “Eu só compro na galinha morta”. É que, antigamente, vendia-se frango pelas ruas e os mais caros eram os animais ainda vivos, que seriam mortos depois de comprados. As “galinhas [já] mortas” eram mais baratas...
Outra imagem forte é dele, com a mão espalmada contra o peito, dizendo “quero saber qual é a minha parte”. Pois ele não entrava em nada do qual não pudesse ter algum lucro.
Tinha um conhecimento enciclopédico sobre quase tudo, porque tudo o interessava - podia virar dinheiro - e era preciso estar a par de tudo.
Uma vez, ao chegar no escritório, el me disse: "Hoje você não vai trabalhar, vai até a Telesp comprar umas linhas telefônicas pra mim. aproveite e compre pra você também". Obedeci e não me arrependi. Lucrei muito com aquela linha.
Infelizmente morreu num acidente na fábrica, um vazamento de cloro. Ele, corajosamente, entrou no local onde havia vazamento e fechou a válvula. Não sem antes inspirar gás de cloro, que queimou seu pulmão, já enfraquecido pela nicotina, e o matou.
Hoje, 30 anos depois, a Sabará é uma empresa forte e bem sucedida, tributo a um homem impar.

terça-feira, junho 19, 2007

74- PERIQUITO

Uma das muitas viagens que fiz nas férias com meus pais foi para Paraty. Fomos de “fusca”, em 5 – pai, mãe, irmã, primo e eu – pela estrada que vai da Via Dutra ao litoral. Parte desta estrada ainda guardava vestígios da época imperial, pois foi primeiro construída por D. Pedro I, monarca brasileiro na primeira metade do século XIX: estreita, tortuosa e linda!
Na volta, depois de ensolarados e espetaculares dias à beira-mar, paramos na serra para descansar e encontramos um morador da região, que trazia um par de periquitos jovens para vender. Depois de muita negociação, compramos ambos.
Nossa casa, em pleno centro de São Paulo, tinha um bom quintal com um abacateiro que tornou-se o poleiro preferido das aves. Nesta árvore, os periquitos ofereciam prova de serem animais gregários: toda vez que bandos que periquitos sobrevoavam a casa - algo bastante comum naquela época (não sei se ainda existem) – nossos bichinhos ficavam excitadíssimos, gritando sem parar enquanto subiam o abacateiro até o galho mais alto. E lá ficavam, chamando o bando até que este sumia nos céus.
O triste aconteceu quando fomos viajar por alguns dias. Deixamos os dois periquitos num dos cômodos da casa, com comida e água. Ao voltarmos, eles estavam mortos. Por alguma razão que me escapa à lembrança, uma bicicleta estava no mesmo cômodo da casa e eles enroscaram as cordinhas que tínhamos amarrado em seus pés para que não voassem pela casa. Ficaram presos à bicicleta, sem comida e sem água... e morreram à míngua!!!
Se ao menos tivesse tirado a porcaria da bike de lá! A culpa me corroeu por um bom tempo. Sei lá, talvez ainda me corroa... toda vez que um periquito voa grasnando sobre mim!

quinta-feira, junho 14, 2007

73- DE FRENTE PRO CRIME

Algumas cenas marcam a memória de tal forma que quando a rememoramos, parece que um filme se passa na mente com toda a cena refeita em seus mínimos detalhes.
Tinha meus dezoito anos e voltava pra casa tarde da noite, de ônibus, de algum compromisso no centro da cidade. O ônibus, bem vazio, seguia pela Av. Ipiranga, entre a Praça da República e a Av. da Consolação, e eu olhava distraidamente para o outro lado da avenida. Na calçada, um casal se olhava próximo a uma árvore; menos de dois metros os separavam.
Por falta de assunto mais interessante, fixei meu olhar no casal. Nesse instante o rapaz levanta o braço esticado na horizontal; a mulher faz menção de se mover, mas cai de costas ao mesmo tempo que vejo um brilho esfumaçado na mão estendida do rapaz; uma fração de segundo se passa e escuto o estampido sêco do tiro. Enquanto me esforço para olhar melhor, o rapaz avança, observa o corpo da mulher no chão, leva a mão à cabeça e seu corpo sofre um tranco, um pequeno pulo mais parecido com um forte tremor e eu ouço um segundo estampido enquanto ele cai na calçada...
Levantei-me num salto, assustado e incrédulo e gritei para o cobrador, o motorista e talvez duas ou três pessoas que estavam no ônibus: “Ali!! O cara atirou nela e suicidou-se!!!” As pessoas se alvoroçaram, mas o ônibus já havia deixado prá trás a cena do crime, e só consegui repetir pro pessoal, enquanto tudo continuava no mesmo ritmo, a cena passando na cabeça em câmara lenta: “Que loucura! Ele atirou nela e suicidou-se!”

terça-feira, junho 05, 2007

72- A INVASÃO DOS PANTERAS NEGRAS

Estávamos todos muito excitados e agitados. Mais de mil jovens estudantes, provenientes de mais de 50 países, reunidos na Hofstra University, Nova York, para três dias de orientação antes de cada um ir para uma cidade e uma família americana por um ano.
Além das reuniões de informação e orientação sobre vários assuntos, havia também muita festa, jogos e tempo para conhecer pessoas.
Mas, numa das reuniões, em um pequeno auditório da universidade, um pequeno e rude grupo de negros com cabelo “afro” interrompeu a palestra e começaram a esbravejar palavras de ordem sobre a opressão branca, o “black power” que se revoltava contra essa dominação, e como éramos parte dessa farsa promovida pelo imperialista governo americano.
O pequeno grupo de estudantes na sala ficou surpreso e intimidado por esta invasão, sem compreender direito o que acontecia. Tínhamos a impressão de que poderia haver alguma violência contra nós, estrangeiros mal-vindos. Mas nada aconteceu e em poucos minutos eles saíram da sala e fomos informados pelos palestrantes que eles eram universitários membros do famoso e temido “Panteras Negras”. Pena que não tínhamos nossas máquinas fotográficas conosco para registrar o acontecimento político do ano de intercâmbio, que mal começava. Também, se tivéssemos, quem se atreveria a apontar a câmera para um deles?!

Retomando...

Com muita alegria, e novas histórias, retomo a publicação semanal desta colcha de retalhos de lembranças, antigas ou recentes, de fatos que tem marcado minha vida.
Um dos muitos lugares que pude visitar durante este mes de férias foi os Estados Unidos, e é de lá que vem a história a seguir, nos turbulentos "anos 70".
Espero que gostem.

segunda-feira, abril 30, 2007

Intervalo...

Durante este mes de maio não postarei lembranças neste "O Tempo Passa...", mas trarei muitas outras para postar a partir de junho.
Portanto, não deixe de programar uma visitinha daqui um mes...
Até volta !!!

71- QUEBRANDO A CARA

A escola onde estudei do 4º ao 8º ano do ensino fundamental era uma tradicional escola privada paulistana, à qual só tive acesso porque meu pai tinha desconto, pois era pastor presbiteriano e a escola (a famosa Universidade Mackenzie) pertencia à igreja.
Uma das suas grandes vantagens era ter um bom conjunto de equipamentos esportivos, pois eram todos utilizados tanto pelo ensino fundamental como pelo médio e superior, campo de futebol, quadras esportivas, ginásio coberto, salão de ginástica; só faltava a piscina.
Duas vezes por semana minha classe tinha aula de educação física com o professor Progresso, grande sujeito. Eu adorava estas aulas, até fiz parte da equipe de ginástica olímpica da escola que participou de jogos escolares. Cheguei a ganhar medalhas, não individual, mas por equipe.
Uma vez estava em pleno jogo de futebol no campo. A bola “sobrou” no meio do campo, sem ninguém por perto, parecia “sem dono”. Desatei a correr em sua direção – era bem veloz na época – e percebi que um jogador adversário também corria, perpendicular a mim, em direção à bola. Chegamos no mesmo instante. Imaginei uma jogada fenomenal: dar um leve toque pra frente com a ponta do pé, deixar o adversário passar zunindo, e sair com a bola passando por trás dele. Beleza!
Mas não deu certo. Toquei a bola antes, mas o carinha já estava em cima, e não pudemos evitar o choque. Bati o rosto no ombro dele e – fiquei sabendo no hospital - quebrei o maxilar superior!!! A história de “como eu dei um drible fenomenal” virou “como fui parar no hospital por causa de um drible que deu errado”. Com cirurgia e tudo. Coisas da vida, né?

segunda-feira, abril 23, 2007

70 - A EMOÇÃO DO TANGO

Fomos, meio de sopetão, para Buenos Aires. Pela primeira vez, Elaine e eu estávamos juntos em terras portenhas.
Passeamos muito, considerando os poucos dias que estivemos lá. Visitamos o centro da cidade, “La Calle Florida”, parques, teatros, “El Caminito”, e outros lugares interessantes.
O que marcou mais foi a apresentação de dança que pudemos assistir uma noite. Uma interessante mistura de dança, música e teatro grego e portenho. Há muitos anos não assistia uma apresentação de boa dança ao vivo, num bom teatro, e isto me dava um prazer extra.
A parte mais argentina da dança era principalmente baseada em músicas de Astor Piazzola, o grande músico de Buenos Aires. Num certo momento, como era de se esperar, tocaram “Adiós Nonino”, talvez a mais famosa composição do autor.
Ouvi-a com prazer. Mas a música, aliada à dança adquiriu um tom mais forte, tocante, e fui me emocionando aos poucos, a ponto de lágrimas rolarem pela face. Foi o ponto alto da apresentação. Saí do teatro renovado, leve, inspirado. Como a música e a dança, quando feitas com amor e competência falam à alma!
Buenos Aires tornou-se mais querida por ter-me proporcionado esta linda experiência. Espero poder voltar um dia...

segunda-feira, abril 09, 2007

69- PRESENTE PERENE

Uma amiga da Elaine deu-lhe há alguns anos um vaso de orquídea, todo florido, por ocasião do seu aniversário. O vaso era tão lindo que decidimos fotografá-lo, para termos uma lembrança quando as flores morressem.

As flores enfeitaram a sala e deram alegria à festa que aconteceu com toda a família presente. Depois, murcharam e o vaso foi colocado no quintal.

No ano seguinte, para nossa surpresa, floriu novamente, justo no mês de aniversário da Elaine. E foi muito gostoso para ela, sentir-se como se fosse presenteada de novo pela amiga.

Assim tem acontecido todo ano. Apesar de não termos tido oportunidade de encontrar essa amiga com freqüência, ela continua a presentear minha esposa todo ano e a transmitir seu carinho e amizade através das flores da orquídea.

Sem querer, essa amiga deu-lhe um presente perene. Ao chegar a época, ficamos na expectativa de ver a orquídea florir, trazemos o vaso para a sala e curtimos sua amizade, retratada na beleza das cores.

quarta-feira, março 28, 2007

68- METIDO A BESTA

Trabalhava há pouco na ACM de Sorocaba, e aproveitava momentos de folga para praticar algum esporte. Basquete era um deles e o grupo com quem jogava era bem heterogêneo, com jovens e adultos com diferentes graus de habilidade no jogo.

Não sou alto, pelo contrário, com 1,70 m, minha altura não me ajuda muito, nem a habilidade. Mas jogava com gosto, empenhado em vencer.

Uma noite, no meio de um jogo, fiquei muito bravo com um colega por uma jogada ríspida e violenta, que quase me machucou. No calor da partida, fui pra cima dele decidido a brigar mesmo, “sair no braço”. Sorte que a turma do “deixa disso” e o bom humor do amigo me pouparam de um fiasco. Explico a seguir.

Passado o momento e a “braveza”, no vestiário, fui me desculpar com o colega e agradecer por não ter aceitado a briga. É que, com mais de um palmo de altura a mais e vários anos a menos, ele teria me dado uma surra de cachorro grande, eu ia apanhar pra “caramba”. Mas valeu pelas risadas que demos depois, rememorando o fato ridículo.

terça-feira, março 20, 2007

67- GRUPO SERGIO

Consta que foi a primeira rede de pizzarias “rodízio” de São Paulo. Isto lá pelo anos 70, muito tempo atrás...

Pois é, Elaine e eu sempre fomos apaixonados por pizza, mas, recém-casados, não tínhamos “um tostão furado” sobrando. Vivíamos na “maior pindura”.

Esforçávamo-nos para economizar. Assim, quando “sobrava um dinheirinho”, planejávamos um passeio, um jantar em grande estilo.

Nosso “programão” típico era o seguinte:

Saíamos de casa a pé pela Av. Domingos de Moraes, um longo caminho até um enorme restaurante do Grupo Sergio, todo iluminado e cheio de mesas. Ali, comíamos, cada um, dúzia de pedaços de pizza dos mais variados sabores, de vez em quando acompanhados por uma bebida dividida entre os dois - porque era cobrado à parte.

Voltávamos, logicamente, a passos lentos, para ajudar a digestão daquela montanha de pizza e para economizar o dinheiro do ônibus. Conversávamos, mãos dadas sobre o que íamos vendo pelo caminho e sobre assuntos que nos vinham à mente no momento. Pura simplicidade; pura felicidade.

Deus nos brindou depois com uma vida bem menos apertada, e tivemos oportunidade de saborear pratos finos em restaurantes mais sofisticados. Talvez não tão apreciados quantos as pizzas do rodízio do “Grupo Sergio”.

terça-feira, março 13, 2007

66- GASOLINA... NO PULMÃO !!!

Estava na casa de uma grande amiga, amiga tão chegada que sentíamos como se fosse membro da família. Ela chamava a si própria de “nossa irmã idiotiva” (uma adoção de “brincadeirinha”). Quando me casei, fiz questão de tê-la como minha madrinha, com muito orgulho.

Estávamos em um pequeno grupo de amigos, e quando pensamos em sair, tivemos um problema: o carro estava sem gasolina! A saída foi pegar “emprestado” um pouco de combustível do carro do pai dela.

Para fazer isso foi preciso um tubo de plástico, que enfiamos pelo bocal do tanque de gasolina e um pequeno vasilhame. Faltava fazer a sucção inicial para o líquido fluir do tanque para o vasilhame. O jeito foi agachar, “botar a boca” no canudo e sugar forte até a gasolina passar pelo bocal. Depois, ela fluiria por si o quanto quiséssemos.

No entanto, quando aspirei, o líquido veio rápido e entrou em minha boca. Cuspi rapidamente, mas não antes que o gás do combustível entrasse pela garganta, me deixando engasgado e sufocado. Levantei-me num salto e tentei puxar ar para os pulmões, mas não consegui. Tentei respirar novamente, e nada! Um princípio de pânico começou a se apoderar de mim. Meus olhos devem ter transpirado o medo, pois minha amiga, que é enfermeira, aproximou-se... e me deu um murro nas costas com toda a força que podia !!! Exalei o gás e pude inspirar ar puro novamente. Que alívio!!!

Fiquei horas com um horrível gosto de gasolina na boca, que me embrulhou o estômago. E com uma dorzinha – bem-vinda – nas costas. Apanhei e ainda agradeci !!!

quinta-feira, março 01, 2007

65- BOLA NO PEITO

Gosto muito de tênis – o jogo. Quando jovem jogava sempre que conseguia uma quadra e um parceiro. Durante os primeiros anos, minha raquete era uma “Procópio” de madeira. Ruinzinha, mas dava pro gasto. Quando morei nos EUA tive a chance de comprar umas raquetes melhores e baratas. Assim, pude convidar meus primos (que não tinham raquete) pra jogar comigo. Um deles era tido e havido como “fortão”, fama recebida por muitas razões, uma das quais descrevo abaixo.

Um dia, fomos eu e dois primos para as quadras da Cidade Universitária, em São Paulo. chegando, procuramos alguém com quem pudéssemos jogar duplas. Encontramos um japonês, um tanto magro, que se dispôs a formar dupla conosco.

Começamos o jogo, e aos poucos foi ficando mais “aquecido” e disputado. Num dado momento, o japonês, apertado por um bola difícil, devolveu-a alta, na esquerda do primo “fortão”. O que ele não sabia era que meu primo, além de forte – o que nem desconfiava – era também habilidoso com a esquerda. Ao ver a bola vindo alta na sua esquerda, jogou a raquete da mão direita para a esquerda e acertou um forte “smash” no campo adversário. A bola saiu com tal força e velocidade que os oponentes não tiveram chance de reação. Acertou em cheio o peito do pobre japonês, que caiu, com um gemido, e sem ar, sentado no chão da quadra.

Nada de mal aconteceu ao rapaz, mas quando se recuperou, perguntamos se havia machucado, e ele mostrou um círculo muito vermelho bem no centro do peito, que com o tempo, certamente ficaria roxo. Match point!!!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

64- INVASÃO DE PRIVACIDADE

Logo que me foi possível, adquiri um telefone celular. Era um tijolão que mal permitia a conversa, caro e com uma pesada bateria que não durava nada, obrigando o uso de bateria de reserva. Mas achei que devia me incluir na nova tecnologia, como tinha feito com o microcomputador. Assim, fui me acostumando a usar o aparelho. Hoje, cada membro da família tem o seu.

Um dia, recebi uma chamada. Ao atender, a pessoa se identificou como “André, do departamento de atendimento ao cliente da Vivo” e começou com uma conversa mole que me levou a desconfiar que ele não fosse quem dizia ser. Recusei-me a conversar com ele e desliguei. Ao olhar a chamada recebida para identificar o número, vi que não era possível, pois no meu visor aparecia “número restrito”. Liguei para a Vivo, comunicando o fato e fui informado que a empresa não usava “número restrito” para falar com seus clientes. Ah, então, o “André” era falso mesmo!

Algum tempo depois, o mesmo “André” me liga novamente. Alertado por ver que a chamada era de “número restrito”, acusei o fulano de criminoso, disse que ia denunciá-lo para a Vivo, xinguei-o um monte e desliguei. Falei em seguida com a Vivo, denunciando nova tentativa criminosa.

Passaram-se alguns minutos e recebi, no telefone fixo em casa, uma chamada de uma paciente da Elaine (ela é médica), dizendo que não conseguia ligar pra ela. Tentei também, e não consegui. Liguei logo para a Vivo e fui avisado que alguém em meu nome havia ligado para eles, um tal de “André” e havia solicitado o bloqueio de todas as linhas, em razão de roubo!!! Só consegui desbloquear as linhas depois de duas horas conversando com os atendentes da Vivo. O safado havia se vingado do fato de não ter me enganado, fazendo-se passar por meu funcionário, fornecendo todos os dados solicitados pela Vivo, e pedindo o bloqueio das linhas.

Depois desse fato, a Vivo me orientou a manter uma “senha de acesso” para evitar que elementos não autorizados falassem em meu nome com a empresa.

Poucas vezes me senti tão injuriado. E, ao mesmo tempo tão impotente, pois simplesmente não podia fazer nada, a não ser lamentar. Pra desabafo, escrevi um longo e-mail explicando o acontecido e enviei aos amigos e jornais. Quase desisti de ter celular... “Haja !!!”

terça-feira, fevereiro 13, 2007

63- BOLÃO INÚTIL

Desde moleque ainda, torcia para o Santos F. C., o time de Pelé, Edu, Toninho e cia. Meu tio era corintiano “roxo”. Um dia ele passou em casa à tarde para me levar ao Pacaembu, próximo de onde eu morava, para assistir ao clássico Santos X Corinthians.

Chegamos no estádio perto da hora do jogo, e por isso não havia mais lugar pra sentar na torcida corintiana. Estávamos em pé, no alto das arquibancadas atrás de um dos gols, quando um grupo acenou do meio da arquibancada, mostrando que poderiam me acomodar entre eles. Fui pra lá e fui recebido amigavelmente, mesmo após dizer que era santista.

Disseram: “Então, ele fica com o bolão”. Eram cinco amigos, e haviam feito uma aposta: cada um sorteou um número de 7 a 11; quem tivesse o número do atacante que marcasse o primeiro gol, ganhava.

Peguei o dinheiro e passei-o para um dos rapazes. Ele me olhou desconfiado e disse: “Guarde-o. Você vai dar o dinheiro para quem tiver o número do artilheiro”. E eu respondi: “Pois é, você não tirou o número 10? Tome, o dinheiro é seu”. Todos deram risada, e procuraram não levar muito a sério o que eu dissera.

Começou o jogo. Passaram-se uns 15 minutos e um jogador santista leva a bola para a linha de fundo e centra. A bola vai para o centro da área, e lá, no meio da zaga corintiana, sobe um jogador negro, de uniforme branco, número 10 às costas. Com leveza e precisão, cabeceia a bola. Esta passa pelo goleiro que se atira desesperadora e inutilmente em sua direção e vai parar no fundo da rede. É goool... de Pelé!!!

Virei para o portador do número 10 e disse: “Não te falei que o dinheiro era seu?”

terça-feira, fevereiro 06, 2007

62- STRUDEL ESTRANHO...

Um dos meus primos tinha uma loja de alimentos congelados, em Santos. Os pratos, de fabricação própria, eram realmente deliciosos, feitos com capricho. Sempre que íamos a Santos, aproveitava a ocasião para trazer pra casa alguns congelados.

Certa vez, escolhemos uma bela peça de “strudel” de maçã, com 30 cm de massa folhada, fartamente recheada.

Algum tempo depois, resolvemos comê-la de sobremesa. Pusemos uma generosa camada de açúcar com canela sobre ela e levamos ao forno para esquentar.

Qual não foi a nossa surpresa quando, ao provar o primeiro pedaço, percebemos que a torta era de camarão!!! Tivemos que retirar a camada superior da massa folhada por estar coberta de açúcar e canela, para poder apreciar, em outra ocasião uma deliciosa “strudel” de camarões.

Quando me encontrei com meu primo de novo, fiz questão de fazer uma gozação com ele, contando que ele me havia vendido “gato por lebre”. Ele ficou muito surpreso, pois nunca havia acontecido um erro de etiquetagem de seus produtos, mas em vez de me pedir desculpas, devolveu a gozação com a frase: “Quem teve prejuízo fui eu! A torta de camarão é mais cara!!!”

quarta-feira, janeiro 31, 2007

61- SALVA VIDAS SEM QUERER

Uma das melhores coisas do acampamento da PV (Palavra da Vida) no verão era poder nadar na “semi” piscina: parte do lago havia sido preparado como uma piscina, com trampolim, borda de um lado e um acesso em rampa com areia de outro (a “prainha”). Mas a água continuava a ser a do lago: limpa, porém amarelada de argila, não dando muita visibilidade debaixo d’água.

Adorava o trampolim. Minha diversão favorita na piscina: pular do trampolim, nadar até a borda, subir para o trampolim e mergulhar novamente.

Uma tarde, quando me preparava pra mergulhar, dando saltos sobre o trampolim para pegar mais altura, ouvi uma voz meio nervosa gritando o meu nome. Saltei, tentando identificar quem me chamava e vi que a pessoa, à beira da piscina, apontava pro meio dela. Afundei na água e ao voltar a tona, olhei para onde ela apontava... e não vi nada. De repente, surgiu a cabeça de um moleque da minha idade, debatendo-se lentamente. Nadei com cautela até ele, temendo que fosse alguma “aprontação” pra cima de mim. E o garoto continuava a subir e descer lentamente. Só quando cheguei bem perto, percebi que realmente precisava de ajuda. Afundei, dando a volta nele, subi por trás, agarrando firmemente o seu tórax com as duas mãos, e nadei com as pernas em direção à “prainha”. O rapaz estava bem, não tinha bebido muita água e logo se recuperou. E eu virei “herói”, sem querer e meio a contragosto.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

60- VERÃO QUENTE

Quando mudamos para Ribeirão Preto, passamos por um processo difícil de adaptação; acho mesmo que sem sucesso, pois acabamos nos mudando de lá também. Um dos motivos foi o calor excessivo, praticamente o ano todo, que minava as forças e a vontade (já pouca) de trabalhar. A sede, o cansaço e o suor eram constantes. E no inverno, a pequena queda da temperatura era anulada pelo cheiro horrível de cana-de-açúcar sendo cozida nas usinas de açúcar e álcool da região, o famoso “garapão”, ugh!

Durante um carnaval que passamos lá, recebemos a visita de uma cunhada e seu marido, ambos pouco mais novos do que nós, e sem filhos. Foram dias muito gostosos, com passeios, muito papo, comida e bebida. O que mais contribuiu, porém para nosso bem estar foi a piscina de armar das nossas crianças. Com 2 e 3 anos de idade, a piscina de montar que compramos pra eles era bem pequena, mas ótima para se divertir e refrescar.

Pois não tivemos dúvida, quando não estávamos passeando, sentávamos na piscininha, encostados cada um num canto dela e uma banqueta do lado de fora, onde ficavam a cerveja e os petiscos. Ligamos um som e passamos horas e horas no papo.

Para o observador externo, a cena era ridícula: 4 marmanjos naquela minúscula piscina de criança, mal cabendo nela, meio bêbados, meio moles de calor, falando da vida alheia, contando piadas, e sonhando com o futuro, todo ainda pela frente.

Na época, parecia que era uma opção pobre por falta de outra melhor. Agora, lembrando bem, creio que seria a melhor opção, mesmo que outras houvesse. Era felicidade...

sábado, janeiro 13, 2007

59- CISNE NEGRO... E BRAVO !!!

Estou, no momento em que escrevo, em Brasília, aonde não vinha há muitos anos. Uma das últimas vezes foi na década de 70, com um colega da empresa, a trabalho. Além do trabalho, reservamos algum tempo para visitar os grandes monumentos utilitários da capital brasileira: a Catedral, o Palácio do Itamaraty, o Palácio da Justiça, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional. Neste último, ficavam os grandes cisnes que antes moravam no Palácio Rio Branco, no Rio de Janeiro, antiga sede do Itamaraty.
Impressionado pela beleza e tamanho dos animais, tentei me aproximar deles, oferecendo algum alimento, como prova de amizade, um pedaço de pão, talvez. Pra quê!!! Um bicho, em vez de me agradecer e comer o pão, esticou o longo pescoço, abriu as enormes asas e começou a investir pro meu lado. Fui me afastando, lentamente a princípio, e depois correndo pra longe do “lago” e do feroz animal. Pra diversão de todos os presentes, inclusive do meu colega, de quem tive que agüentar muitas risadas ainda.