domingo, abril 02, 2006

8- RODOPIO

Voltávamos do Rio de Janeiro, meu primo e eu, depois de uma semana de passeio no verão. Meu pai havia emprestado o carro (um WV-TL com dez anos de uso) que estava em bom estado e a estrada, a Via Dutra, permitia uma boa velocidade cruzeiro (naqueles tempos, algo em torno de 80 a 90 km/h!!!).
De repente, chuva. Uma chuva de verão, forte e rápida, que deixou alguns pontos empoçados na estrada. Ao passar por um deles, senti o carro aquaplanar e ao retomar o contato com o asfalto, o carro quis sair do rumo. Ciente do perigo, não pisei no freio e tentei manter o carro na rota, sem sucesso. Meu primo, ao perceber o que estava ocorrendo, segurou o volante tentando me ajudar e gritou, vendo que o carro girava: “Hang on there!” - assim, em inglês mesmo – até hoje ele não sabe porquê, e giramos pelo canteiro central, atravessamos a pista contrária e paramos, miraculosamente incólumes, no acostamento oposto. Saí, atordoado, do carro, enquanto uma enorme carreta passava por nós, buzinando, e fazendo sinais para saber se estávamos bem. Dei um “ok” sem graça e meu primo dava voltas no carro dizendo: “Não aconteceu nada, só sujou de barro e grama!” Um olhou pro outro, e sem uma palavra entramos no carro, mas agora, ele estava ao volante. Depois de duas ou três horas viajando, concluímos que o melhor seria eu voltar a dirigir ali mesmo, na Via Dutra, ou poderia ficar traumatizado e ter dificuldade para voltar a dirigir em estrada. Assim, quando chegamos em São Paulo, eu dirigia o velho fusca como se nada tivesse ocorrido, mas o “hang on there!” tornou-se código para boas gargalhadas.

2 comentários:

Lou disse...

Ainda bem que ele gritou Hang on there. Eu teria gritado outra coisa em bom e audível portugues. Melhor ainda, é não ter acontecido nada de mais grave. Salve o Senhor que os protegeu.

Paulo Brabo disse...

Ha - aquaplanagem é o bicho. Já aconteceu comigo uma única vez, no Vectra do meu pai, e eu estava indo devagar. Alçado ao primeiro céu, o carro também rodopiou várias vezes - e no trajeto acompanhou sem minha intervenção uma curva da estrada, evitou uma ponte e não caiu num rio. Fui parar no acostamento de frente para o tráfego, para absoluto deleite de dois caras que passavam de bicicleta. Hang on indeed.