segunda-feira, abril 09, 2007

69- PRESENTE PERENE

Uma amiga da Elaine deu-lhe há alguns anos um vaso de orquídea, todo florido, por ocasião do seu aniversário. O vaso era tão lindo que decidimos fotografá-lo, para termos uma lembrança quando as flores morressem.

As flores enfeitaram a sala e deram alegria à festa que aconteceu com toda a família presente. Depois, murcharam e o vaso foi colocado no quintal.

No ano seguinte, para nossa surpresa, floriu novamente, justo no mês de aniversário da Elaine. E foi muito gostoso para ela, sentir-se como se fosse presenteada de novo pela amiga.

Assim tem acontecido todo ano. Apesar de não termos tido oportunidade de encontrar essa amiga com freqüência, ela continua a presentear minha esposa todo ano e a transmitir seu carinho e amizade através das flores da orquídea.

Sem querer, essa amiga deu-lhe um presente perene. Ao chegar a época, ficamos na expectativa de ver a orquídea florir, trazemos o vaso para a sala e curtimos sua amizade, retratada na beleza das cores.

quarta-feira, março 28, 2007

68- METIDO A BESTA

Trabalhava há pouco na ACM de Sorocaba, e aproveitava momentos de folga para praticar algum esporte. Basquete era um deles e o grupo com quem jogava era bem heterogêneo, com jovens e adultos com diferentes graus de habilidade no jogo.

Não sou alto, pelo contrário, com 1,70 m, minha altura não me ajuda muito, nem a habilidade. Mas jogava com gosto, empenhado em vencer.

Uma noite, no meio de um jogo, fiquei muito bravo com um colega por uma jogada ríspida e violenta, que quase me machucou. No calor da partida, fui pra cima dele decidido a brigar mesmo, “sair no braço”. Sorte que a turma do “deixa disso” e o bom humor do amigo me pouparam de um fiasco. Explico a seguir.

Passado o momento e a “braveza”, no vestiário, fui me desculpar com o colega e agradecer por não ter aceitado a briga. É que, com mais de um palmo de altura a mais e vários anos a menos, ele teria me dado uma surra de cachorro grande, eu ia apanhar pra “caramba”. Mas valeu pelas risadas que demos depois, rememorando o fato ridículo.

terça-feira, março 20, 2007

67- GRUPO SERGIO

Consta que foi a primeira rede de pizzarias “rodízio” de São Paulo. Isto lá pelo anos 70, muito tempo atrás...

Pois é, Elaine e eu sempre fomos apaixonados por pizza, mas, recém-casados, não tínhamos “um tostão furado” sobrando. Vivíamos na “maior pindura”.

Esforçávamo-nos para economizar. Assim, quando “sobrava um dinheirinho”, planejávamos um passeio, um jantar em grande estilo.

Nosso “programão” típico era o seguinte:

Saíamos de casa a pé pela Av. Domingos de Moraes, um longo caminho até um enorme restaurante do Grupo Sergio, todo iluminado e cheio de mesas. Ali, comíamos, cada um, dúzia de pedaços de pizza dos mais variados sabores, de vez em quando acompanhados por uma bebida dividida entre os dois - porque era cobrado à parte.

Voltávamos, logicamente, a passos lentos, para ajudar a digestão daquela montanha de pizza e para economizar o dinheiro do ônibus. Conversávamos, mãos dadas sobre o que íamos vendo pelo caminho e sobre assuntos que nos vinham à mente no momento. Pura simplicidade; pura felicidade.

Deus nos brindou depois com uma vida bem menos apertada, e tivemos oportunidade de saborear pratos finos em restaurantes mais sofisticados. Talvez não tão apreciados quantos as pizzas do rodízio do “Grupo Sergio”.

terça-feira, março 13, 2007

66- GASOLINA... NO PULMÃO !!!

Estava na casa de uma grande amiga, amiga tão chegada que sentíamos como se fosse membro da família. Ela chamava a si própria de “nossa irmã idiotiva” (uma adoção de “brincadeirinha”). Quando me casei, fiz questão de tê-la como minha madrinha, com muito orgulho.

Estávamos em um pequeno grupo de amigos, e quando pensamos em sair, tivemos um problema: o carro estava sem gasolina! A saída foi pegar “emprestado” um pouco de combustível do carro do pai dela.

Para fazer isso foi preciso um tubo de plástico, que enfiamos pelo bocal do tanque de gasolina e um pequeno vasilhame. Faltava fazer a sucção inicial para o líquido fluir do tanque para o vasilhame. O jeito foi agachar, “botar a boca” no canudo e sugar forte até a gasolina passar pelo bocal. Depois, ela fluiria por si o quanto quiséssemos.

No entanto, quando aspirei, o líquido veio rápido e entrou em minha boca. Cuspi rapidamente, mas não antes que o gás do combustível entrasse pela garganta, me deixando engasgado e sufocado. Levantei-me num salto e tentei puxar ar para os pulmões, mas não consegui. Tentei respirar novamente, e nada! Um princípio de pânico começou a se apoderar de mim. Meus olhos devem ter transpirado o medo, pois minha amiga, que é enfermeira, aproximou-se... e me deu um murro nas costas com toda a força que podia !!! Exalei o gás e pude inspirar ar puro novamente. Que alívio!!!

Fiquei horas com um horrível gosto de gasolina na boca, que me embrulhou o estômago. E com uma dorzinha – bem-vinda – nas costas. Apanhei e ainda agradeci !!!

quinta-feira, março 01, 2007

65- BOLA NO PEITO

Gosto muito de tênis – o jogo. Quando jovem jogava sempre que conseguia uma quadra e um parceiro. Durante os primeiros anos, minha raquete era uma “Procópio” de madeira. Ruinzinha, mas dava pro gasto. Quando morei nos EUA tive a chance de comprar umas raquetes melhores e baratas. Assim, pude convidar meus primos (que não tinham raquete) pra jogar comigo. Um deles era tido e havido como “fortão”, fama recebida por muitas razões, uma das quais descrevo abaixo.

Um dia, fomos eu e dois primos para as quadras da Cidade Universitária, em São Paulo. chegando, procuramos alguém com quem pudéssemos jogar duplas. Encontramos um japonês, um tanto magro, que se dispôs a formar dupla conosco.

Começamos o jogo, e aos poucos foi ficando mais “aquecido” e disputado. Num dado momento, o japonês, apertado por um bola difícil, devolveu-a alta, na esquerda do primo “fortão”. O que ele não sabia era que meu primo, além de forte – o que nem desconfiava – era também habilidoso com a esquerda. Ao ver a bola vindo alta na sua esquerda, jogou a raquete da mão direita para a esquerda e acertou um forte “smash” no campo adversário. A bola saiu com tal força e velocidade que os oponentes não tiveram chance de reação. Acertou em cheio o peito do pobre japonês, que caiu, com um gemido, e sem ar, sentado no chão da quadra.

Nada de mal aconteceu ao rapaz, mas quando se recuperou, perguntamos se havia machucado, e ele mostrou um círculo muito vermelho bem no centro do peito, que com o tempo, certamente ficaria roxo. Match point!!!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

64- INVASÃO DE PRIVACIDADE

Logo que me foi possível, adquiri um telefone celular. Era um tijolão que mal permitia a conversa, caro e com uma pesada bateria que não durava nada, obrigando o uso de bateria de reserva. Mas achei que devia me incluir na nova tecnologia, como tinha feito com o microcomputador. Assim, fui me acostumando a usar o aparelho. Hoje, cada membro da família tem o seu.

Um dia, recebi uma chamada. Ao atender, a pessoa se identificou como “André, do departamento de atendimento ao cliente da Vivo” e começou com uma conversa mole que me levou a desconfiar que ele não fosse quem dizia ser. Recusei-me a conversar com ele e desliguei. Ao olhar a chamada recebida para identificar o número, vi que não era possível, pois no meu visor aparecia “número restrito”. Liguei para a Vivo, comunicando o fato e fui informado que a empresa não usava “número restrito” para falar com seus clientes. Ah, então, o “André” era falso mesmo!

Algum tempo depois, o mesmo “André” me liga novamente. Alertado por ver que a chamada era de “número restrito”, acusei o fulano de criminoso, disse que ia denunciá-lo para a Vivo, xinguei-o um monte e desliguei. Falei em seguida com a Vivo, denunciando nova tentativa criminosa.

Passaram-se alguns minutos e recebi, no telefone fixo em casa, uma chamada de uma paciente da Elaine (ela é médica), dizendo que não conseguia ligar pra ela. Tentei também, e não consegui. Liguei logo para a Vivo e fui avisado que alguém em meu nome havia ligado para eles, um tal de “André” e havia solicitado o bloqueio de todas as linhas, em razão de roubo!!! Só consegui desbloquear as linhas depois de duas horas conversando com os atendentes da Vivo. O safado havia se vingado do fato de não ter me enganado, fazendo-se passar por meu funcionário, fornecendo todos os dados solicitados pela Vivo, e pedindo o bloqueio das linhas.

Depois desse fato, a Vivo me orientou a manter uma “senha de acesso” para evitar que elementos não autorizados falassem em meu nome com a empresa.

Poucas vezes me senti tão injuriado. E, ao mesmo tempo tão impotente, pois simplesmente não podia fazer nada, a não ser lamentar. Pra desabafo, escrevi um longo e-mail explicando o acontecido e enviei aos amigos e jornais. Quase desisti de ter celular... “Haja !!!”

terça-feira, fevereiro 13, 2007

63- BOLÃO INÚTIL

Desde moleque ainda, torcia para o Santos F. C., o time de Pelé, Edu, Toninho e cia. Meu tio era corintiano “roxo”. Um dia ele passou em casa à tarde para me levar ao Pacaembu, próximo de onde eu morava, para assistir ao clássico Santos X Corinthians.

Chegamos no estádio perto da hora do jogo, e por isso não havia mais lugar pra sentar na torcida corintiana. Estávamos em pé, no alto das arquibancadas atrás de um dos gols, quando um grupo acenou do meio da arquibancada, mostrando que poderiam me acomodar entre eles. Fui pra lá e fui recebido amigavelmente, mesmo após dizer que era santista.

Disseram: “Então, ele fica com o bolão”. Eram cinco amigos, e haviam feito uma aposta: cada um sorteou um número de 7 a 11; quem tivesse o número do atacante que marcasse o primeiro gol, ganhava.

Peguei o dinheiro e passei-o para um dos rapazes. Ele me olhou desconfiado e disse: “Guarde-o. Você vai dar o dinheiro para quem tiver o número do artilheiro”. E eu respondi: “Pois é, você não tirou o número 10? Tome, o dinheiro é seu”. Todos deram risada, e procuraram não levar muito a sério o que eu dissera.

Começou o jogo. Passaram-se uns 15 minutos e um jogador santista leva a bola para a linha de fundo e centra. A bola vai para o centro da área, e lá, no meio da zaga corintiana, sobe um jogador negro, de uniforme branco, número 10 às costas. Com leveza e precisão, cabeceia a bola. Esta passa pelo goleiro que se atira desesperadora e inutilmente em sua direção e vai parar no fundo da rede. É goool... de Pelé!!!

Virei para o portador do número 10 e disse: “Não te falei que o dinheiro era seu?”

terça-feira, fevereiro 06, 2007

62- STRUDEL ESTRANHO...

Um dos meus primos tinha uma loja de alimentos congelados, em Santos. Os pratos, de fabricação própria, eram realmente deliciosos, feitos com capricho. Sempre que íamos a Santos, aproveitava a ocasião para trazer pra casa alguns congelados.

Certa vez, escolhemos uma bela peça de “strudel” de maçã, com 30 cm de massa folhada, fartamente recheada.

Algum tempo depois, resolvemos comê-la de sobremesa. Pusemos uma generosa camada de açúcar com canela sobre ela e levamos ao forno para esquentar.

Qual não foi a nossa surpresa quando, ao provar o primeiro pedaço, percebemos que a torta era de camarão!!! Tivemos que retirar a camada superior da massa folhada por estar coberta de açúcar e canela, para poder apreciar, em outra ocasião uma deliciosa “strudel” de camarões.

Quando me encontrei com meu primo de novo, fiz questão de fazer uma gozação com ele, contando que ele me havia vendido “gato por lebre”. Ele ficou muito surpreso, pois nunca havia acontecido um erro de etiquetagem de seus produtos, mas em vez de me pedir desculpas, devolveu a gozação com a frase: “Quem teve prejuízo fui eu! A torta de camarão é mais cara!!!”

quarta-feira, janeiro 31, 2007

61- SALVA VIDAS SEM QUERER

Uma das melhores coisas do acampamento da PV (Palavra da Vida) no verão era poder nadar na “semi” piscina: parte do lago havia sido preparado como uma piscina, com trampolim, borda de um lado e um acesso em rampa com areia de outro (a “prainha”). Mas a água continuava a ser a do lago: limpa, porém amarelada de argila, não dando muita visibilidade debaixo d’água.

Adorava o trampolim. Minha diversão favorita na piscina: pular do trampolim, nadar até a borda, subir para o trampolim e mergulhar novamente.

Uma tarde, quando me preparava pra mergulhar, dando saltos sobre o trampolim para pegar mais altura, ouvi uma voz meio nervosa gritando o meu nome. Saltei, tentando identificar quem me chamava e vi que a pessoa, à beira da piscina, apontava pro meio dela. Afundei na água e ao voltar a tona, olhei para onde ela apontava... e não vi nada. De repente, surgiu a cabeça de um moleque da minha idade, debatendo-se lentamente. Nadei com cautela até ele, temendo que fosse alguma “aprontação” pra cima de mim. E o garoto continuava a subir e descer lentamente. Só quando cheguei bem perto, percebi que realmente precisava de ajuda. Afundei, dando a volta nele, subi por trás, agarrando firmemente o seu tórax com as duas mãos, e nadei com as pernas em direção à “prainha”. O rapaz estava bem, não tinha bebido muita água e logo se recuperou. E eu virei “herói”, sem querer e meio a contragosto.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

60- VERÃO QUENTE

Quando mudamos para Ribeirão Preto, passamos por um processo difícil de adaptação; acho mesmo que sem sucesso, pois acabamos nos mudando de lá também. Um dos motivos foi o calor excessivo, praticamente o ano todo, que minava as forças e a vontade (já pouca) de trabalhar. A sede, o cansaço e o suor eram constantes. E no inverno, a pequena queda da temperatura era anulada pelo cheiro horrível de cana-de-açúcar sendo cozida nas usinas de açúcar e álcool da região, o famoso “garapão”, ugh!

Durante um carnaval que passamos lá, recebemos a visita de uma cunhada e seu marido, ambos pouco mais novos do que nós, e sem filhos. Foram dias muito gostosos, com passeios, muito papo, comida e bebida. O que mais contribuiu, porém para nosso bem estar foi a piscina de armar das nossas crianças. Com 2 e 3 anos de idade, a piscina de montar que compramos pra eles era bem pequena, mas ótima para se divertir e refrescar.

Pois não tivemos dúvida, quando não estávamos passeando, sentávamos na piscininha, encostados cada um num canto dela e uma banqueta do lado de fora, onde ficavam a cerveja e os petiscos. Ligamos um som e passamos horas e horas no papo.

Para o observador externo, a cena era ridícula: 4 marmanjos naquela minúscula piscina de criança, mal cabendo nela, meio bêbados, meio moles de calor, falando da vida alheia, contando piadas, e sonhando com o futuro, todo ainda pela frente.

Na época, parecia que era uma opção pobre por falta de outra melhor. Agora, lembrando bem, creio que seria a melhor opção, mesmo que outras houvesse. Era felicidade...

sábado, janeiro 13, 2007

59- CISNE NEGRO... E BRAVO !!!

Estou, no momento em que escrevo, em Brasília, aonde não vinha há muitos anos. Uma das últimas vezes foi na década de 70, com um colega da empresa, a trabalho. Além do trabalho, reservamos algum tempo para visitar os grandes monumentos utilitários da capital brasileira: a Catedral, o Palácio do Itamaraty, o Palácio da Justiça, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional. Neste último, ficavam os grandes cisnes que antes moravam no Palácio Rio Branco, no Rio de Janeiro, antiga sede do Itamaraty.
Impressionado pela beleza e tamanho dos animais, tentei me aproximar deles, oferecendo algum alimento, como prova de amizade, um pedaço de pão, talvez. Pra quê!!! Um bicho, em vez de me agradecer e comer o pão, esticou o longo pescoço, abriu as enormes asas e começou a investir pro meu lado. Fui me afastando, lentamente a princípio, e depois correndo pra longe do “lago” e do feroz animal. Pra diversão de todos os presentes, inclusive do meu colega, de quem tive que agüentar muitas risadas ainda.

sábado, janeiro 06, 2007

58- CONVERSA BOA... PRA VOVÓ DORMIR !

Vovó Ambrosina gostava de fazer crochê. Com 60 anos de idade e diabética, ela tinha sua movimentação restrita e, portanto, gostava de sentar numa cadeira de balanço enquanto a gente (eu e meus primos) brincava pelo chão da sala.
Era comum, também, percebermos, depois de algum tempo, que a vovó tava cochilando, o crochê no colo, a cabeça já reclinada na poltrona. Preocupados em não acordá-la, não por medo, mas porque a queríamos bem, começávamos a falar baixo, cochichando mesmo. Mas o nosso silêncio acabava acordando a vovó, que dizia com os olhos semi cerrados: "Não parem, meninos, continuem a conversa. Tá boa pra dormir... "

quinta-feira, dezembro 28, 2006

57- NATAL COM NEVE !!!

No Brasil a neve é caso raro, raríssimo, digno de sair no noticiário nacional da televisão. Então, quando fui aos EUA como intercambista, esperava ter a chance de ver neve, muita neve. Mas a deliciosa Salisbury, pequena e agradável cidadezinha onde morei não tinha neve com frequência. Nevava, sim, todo inverno, mas apenas em alguns dias e em pequeno volume.

Assim, quando o inverno chegou, comecei a acompanhar o noticiário meteorológico pra ver se anunciavam alguma nevasca... nada! Os dias se passavam, o fim do ano foi chegando, as temperaturas cada vez mais congelantes (para os meus padrões, pelo menos), mas nada de neve. Até que chegou o Natal.

Na noite de Natal fomos à igreja, para uma bela e tocante cerimônia com muita música natalina, e depois tivemos um deliciosa ceia. Lá pelas dez horas da noite, alguém entra em casa, vem me dizer que estão caindo alguns flocos de neve !!! Saí pra varanda e me assombrei com o espetáculo que davam os pequeninos flocos brancos caindo na noite. Foi legal demais!!! E melhorou, pois a neve caiu mais forte e, em pouco tempo cobria o chão o suficiente para sairmos com os “sledges” – pequenós trenós – com os quais descíamos a rua em ladeira onde morava uma amiga. Foi uma noite inesquecível por mais de um motivo. Eu finalmente sabia o que significava “White Christmas”.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

56- SORVETE MAIOR QUE A FOME

Poucas eram as nossas chances, morando no interior de SP e com filhos pequenos, de freqüentarmos teatro e cinema. Mas os filhos cresceram, e tentávamos aproveitar as chances que apareciam.

Assim, quando familiares de SP avisaram que estavam programando ir ao teatro, pedimos que nos incluíssem também.

Tivemos de sair cedo para S. Paulo, o teatro ficava próximo ao centro e o trânsito exigiria paciência e tempo. Além disso, não permitiam atrasos. Por garantia, saímos cedo.

Chegamos a tempo de estacionar, achar o pessoal, cumprimentar todos, saber as últimas novidades e logo fomos para nossos lugares.

A peça foi realmente muito, muito boa e terminou perto das 10 h da noite. Eu e Elaine estávamos famintos. Na família, todos haviam jantado e a proposta de tomar um sorvete e um café venceu.

Fomos para uma famosa sorveteria e o menu destacava o fato de prepararem “a maior taça de sorvete da cidade”. Elaine e eu nos olhamos, a fome bateu forte e pedimos essa taça (uma só para os dois!), enquanto todos pediam sorvetes simples.

A taça chegou, e não a achamos grande coisa - oito bolas, oito coberturas, farofa e canudinho crocante - parecia o que precisávamos para matar a fome.

Com o tempo, percebemos que o sorvete era muito maior do que imaginávamos. Todos acabaram suas taças, tomaram café e batiam papo esperando por nós... e haja sorvete!

Já no fim, a taça se tornara intragável. O sorvete derretera, misturando-se com as coberturas, fazendo um melado dulcíssimo, de arrepiar.

Desistimos e um dedo deste melado ainda ficou no fundo da taça. Saímos estufados e enjoados, de volta pra casa.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

55- FORDINHO BOM DE SONO

Aos cinco, seis, anos de idade, meus avós paternos moravam “no outro lado da cidade”, um percurso de mais hora em nosso “Fordinho 33”. Para lá íamos freqüentemente, aos domingos, depois da igreja, almoçar com os avós e passar a tarde. Eu gostava da casa dos meus avós. Ficava num bairro tranqüilo e bem urbanizado da São Paulo dos anos 50. Meus primos apareciam também por lá e tínhamos chance de brincar pra valer.

Mas no caminho para lá, o balanço do calhambeque, seu barulho contínuo, o calor do meio dia e a falta do que fazer me “sonavam” e eu acabava dormindo profundamente.

Meus pais sabiam que eu acordaria logo, com fome, e por isso deixavam-me dormir só, no carro, quando chegávamos, enquanto o almoço era preparado.

Então eu acordava. Ao longe, vez por outra o som de um carro que vinha e ia quebrava o tranqüilo silêncio do bairro. Havia também o canto de pássaros nas árvores que faziam sombra no carro. E havia paz. Uma paz que me penetra a pele até hoje, ao recordar aqueles dias.

Creio que nunca senti uma solidão tão tranqüila e pacífica como naqueles domingos de sono dentro do “fordinho” do meu pai.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

54- FESTA PARA CRIANÇA

O “Dia da Criança” é, depois do Natal e do aniversário, a data mais esperada e querida pelas crianças. E nós, da recém criada SEMEAR – Secretaria Municipal da Criança e do Adolescente de Sorocaba (1993) – queríamos tornar aquele dia inesquecível para as crianças da cidade.

O chefe (Secretário da SEMEAR) pensou numa festa pra muita gente, com muitas atrações, entrada gratuita, um evento pra ficar na história da cidade. Convenceu o prefeito a fazer um grande evento, com financiamento privado, e mobilizou toda a equipe em torno deste objetivo (in)comum.

Trabalhamos pra caramba, fomos de empresário em empresário, com o chapéu na mão, arrecadando fundos para a festa, enquanto outros procuravam os grandes nomes do “show biz”, convidando-os para participar, sem cobrar, da nossa festa. Durante muitos anos guardei o “relatório financeiro” deste “caixa 2” do bem, com medo de ser acusado de alguma ação desonesta.

Ao final, conseguimos ninguém menos que os Trapalhões e a dupla infantil (na época) “Sandy e Jr.” para se apresentarem “na faixa”, além de pára-quedistas e outras atrações.

No dia, trabalhamos das 5 horas da manhã até o final da noite. Algo como 20 mil pessoas lotaram o estádio municipal para ver aqueles astros. Foi uma canseira!

Quando tudo acabou, estávamos felizes e exaustos com o que havíamos conseguido; prometemos uns aos outros nunca mais entrar numa “fria” como essa, mas... No ano seguinte, lá estávamos, desta vez com o apoio da Rede Globo, fazendo uma “Festa para Criança” diferente, mas igualmente excitante e exaustiva.

terça-feira, novembro 28, 2006

53- GUIADO POR OUTDOORS

Aos 12 anos, uma das minhas atividades preferidas era como escoteiro, nas tardes de sábado. Para chegar ao local das reuniões, tomava o ônibus. Assim também para ir à ACM (YMCA), duas vezes por semana, para jogar bola e nadar. Pegava o ônibus no bairro e ia ao centro da cidade. São Paulo não era pequena e eu era, o que a tornava maior. Era fácil se perder na cidade. Poucas esquinas tinham o nome das ruas em placas e as poucas existentes não ficavam exatamente à vista.

Por isso, fui obrigado a arranjar um meio de localizar-me na cidade, sob o risco de passar o ponto e acabar me perdendo. Sempre fui atraído pelos cartazes de propaganda e percebi que, mais do que distração, eles poderiam ser meu guia na cidade. Assim, quando andava pela cidade, a pé ou de ônibus, guiava-me pelos grandes painéis de propaganda para ir na direção certa, e nas placas menores, de indicação de lojas e comércio para achar a rua ou a esquina certa. Até hoje tenho a tendência a me referir a estes quando menciono algum local.

terça-feira, novembro 21, 2006

52- PRAGA DE PULGAS !!!

Morávamos numa boa casa, com chão de tacos de madeira, em Sorocaba. As crianças eram pequenas, tínhamos um gato e um coelho, que, acreditem, eram amigos! Tenho uma foto do gato dormindo ao lado do coelho, com sua pata abraçando-o. Verdade!

Pois bem, um dia voltamos ao entardecer de uma viagem de alguns dias e ao entrarmos na sala da casa, algo extraordinário aconteceu. O chão se movia!!!! Sim, uma leve sombra ondulava-se suavemente com nossos passos. Ao acender a luz da sala, qual não foi nossa surpresa e horror ao perceber que o chão estava repleto de pulgas saltitantes, querendo subir nos nossos pés e pernas. Tivemos que trepar no sofá para fugir delas.

Depois, aplicamos por toda a casa, dias seguidos, uma fina camada de um inseticida em pó, que era (e será que ainda é?) vendido em uma latinha redonda, para nos livrarmos de todas as pulgas. O interessante é que tanto o gato como o coelho não estavam infestados como seria de se esperar. A casa fechada por uns dias havia se transformado em estufa onde os insetos haviam se multiplicado sem sair dali.

Ainda arrepio quando lembro da cena!

terça-feira, novembro 14, 2006

51- CINDY SE DESPEDE !!!

Tinha acabado de chegar aos Estados Unidos pela primeira vez. Aos 18 anos, tudo era não só novidade, como incrivelmente excitante e um pouco amedrontador também.

A família hospedeira me levou para a praia, por uns dias, aproveitando o verão e “quebrar o gêlo”. Tudo estava bem.

Com meu “irmão” e um amigo dele, fizemos amizade na praia com algumas garotas. Ser estrangeiro facilitou o nosso contato com elas, pois ficaram interessadas em saber por quê, onde, como, o quê era o “Brazil”.

Cindy, uma delas, era muito alegre, animada, simpática. Gostavam de música e meu irmão americano tocava violão, o que permitia nos reunirmos na praia à noite para cantar e bater-papo. Quando estávamos à procura delas, costumávamos sair gritando em coro: “Ciiiiindyyyy!!!”, por pura diversão.

Chegou o dia de ir embora. Fomos à procura das garotas pra nos despedir. Trocamos endereços e números de telefone, promessas de escrever, ligar e nos encontrar em futuro próximo. Abraços, beijinhos; na hora de despedir-me da Cindy, ela me “tascou” um beijo na boca! Surpreso e agradecido, olhei pra ela, enquanto me dizia: “This is to remember Cindy! Ainda me lembro...

terça-feira, novembro 07, 2006

50 - MEU PÉ DE LARANJA LIMA

Fui um adolescente devorador de livros. Lia praticamente tudo que caía às minhas mãos, principalmente ficção – Francisco Marins, Conan Doyle, Azimov, Burroughs, Monteiro Lobato, Bradbury, etc – povoavam minha imaginação com aventuras impressionantes.

Uma das minhas atividades mais saborosas era passar pela Livraria Cultura, no edifício Copan da Av. Paulista e ler livros entre as prateleiras da loja, especialmente Asterix (que por ser “quadrinhos” lia rapidamente) e os “best sellers”, caros demais pra meu bolso e ainda não disponíveis na biblioteca onde minha mãe trabalhava, e de onde saiam os livros que lia.

José Mauro de Vasconcelos já era um sucesso editorial quando li seu primeiro “hit”. Não estava muito empolgado, pois me parecia ser uma literatura “água com açúcar”, mas confesso que estava curioso pra saber porque tal livro tinha tanto sucesso.

Lembro-me de ter entrado, uma tarde, no quarto de meus pais e visto o livro sobre a cômoda - algo comum, já que minha mãe era bibliotecária. Freqüentemente, ela trazia livros pra casa para conferir sua catalogação.

Com a intenção de só dar uma olhadinha, pra ver como era o estilo do autor, abri o livro e sentei-me à beira da cama. Passaram–se algumas horas e percebi que havia lido todo o livro, sofregamente, e que a emoção tomava conta de mim. Nossa, pensei, pode até não ser “alta literatura”, mas entendo a razão do autor ter tanto sucesso!

Li depois, outro livro do autor, mas o impacto não aconteceu. O sucesso também. Seja qual for o segredo, era desconhecido do próprio José Mauro.

Mas ler um livro numa “sentada” só, sem mesmo perceber, foi uma experiência incrível.